O Brasil que queremos precisa de diálogo entre quem governa, quem legisla, quem trabalha, quem empreende e quem consome. Precisamos de um ambiente favorável à produção e de uma agenda de desenvolvimento.
As empresas precisam de condições para investir, inovar, produzir e competir. Mas a realidade é outra. Convivemos com juros elevados, crédito caro, endividamento de famílias e empresas, baixa produtividade, complexidade tributária e perda de competitividade. Esses fatores não ficam restritos ao ambiente empresarial. Chegam ao cidadão na forma de preços, menos empregos, investimentos adiados e menor capacidade de crescimento.
Um exemplo é a concorrência nas compras internacionais de até US$ 50 dólares, que têm alíquota zero no imposto de importação. Não somos contra o comércio internacional, não queremos fechar a economia nem impedir o acesso a produtos estrangeiros. O que defendemos é equilíbrio. A empresa brasileira formal paga impostos, encargos, folha de pagamento, energia, logística, normas trabalhistas e obrigações regulatórias. Por isto, precisamos assegurar que ela possa competir em condições justas e tenha acesso a políticas públicas que estimulem a formalidade, e não o contrário.
Outro desafio é o custo do dinheiro. Para pequenas e médias empresas, crédito caro pode definir se um investimento será realizado ou não. Menos investimento significa menos modernização, inovação e produtividade. Precisamos de condições que permitam a redução sustentável dos juros, preservando a estabilidade e ampliando o acesso ao crédito produtivo.
Também precisamos falar de responsabilidade fiscal e eficiência do Estado. Não se trata de retirar investimentos essenciais, mas de gastar melhor, estabelecer prioridades, avaliar resultados e garantir previsibilidade. Segurança jurídica, respeito aos contratos e estabilidade das regras são fundamentais para quem decide investir.
A saúde financeira das famílias também está diretamente ligada à atividade econômica. O alto número de brasileiros endividados reduz o consumo, adia decisões e afeta as vendas, os investimentos e as contratações.
E há uma questão estrutural que não podemos adiar, a produtividade. Precisamos produzir mais com os recursos disponíveis. Produtividade é o caminho para empresas competitivas, melhores salários, maior renda e crescimento duradouro.
Não queremos privilégios. Queremos regras claras e condições para competir. Não queremos proteção permanente. Queremos capacidade para inovar e produzir melhor. Não queremos um Estado ausente, mas eficiência, responsabilidade e parceria no desenvolvimento.
É hora de colocar produtividade, competitividade e investimento no centro da agenda nacional. Um país que valoriza quem produz não beneficia apenas empresas. Beneficia trabalhadores, consumidores, famílias e a sociedade.
Defendemos um Brasil capaz de crescer com responsabilidade, prosperidade e oportunidades para todos.
José Carlos Barbieri é presidente da
Associação Comercial e Empresarial
de Maringá (Acim)

